O lado esquerdo da cama é frio sem você aqui e eu espero os 30 dias passarem e despetalo meu coração com filmes e canções de amor, na esperança de sentir que de certa forma tudo isso é uma coerência romântica e bonita demais. No entanto, dizer que estou anestesiada nesse mês, que não sinto o seu cheiro no meu travesseiro e nem acordo com medo de olhar para o seu lado é mentira.
O tamanho da minha saudade é o conjunto dos dias do nosso namoro, multiplicado pelas vezes em que digo o quanto eu amo você. Ela não caberia na lua, nas nuvens, mas cabe no meu coração e disso eu tenho certeza.
- #NowPlaying:Eva Cassidy - Songbird
Pode achar que me conhece por dentro, mas, afinal, toda carne viva não é igual?
- #NowPlaying:Tiê - Entregue-se
Olha como se fosse cachorro perdido e pede sorrindo uma chance, afinal.
O amor range os dentes no frio, bate no vidro da janela e manda bilhete debaixo da porta,
Olhei de canto de olho, a lágrima caiu num choro que vem por bem e por mal.
Não há nexo nesse enredo, nem palavras para descrever a dor aqui no peito,
A saudade aperta e a invisível capa dolorida cai no quintal.
Saio quando o amor está dormindo, abraço-o quietinho para que sinta bem,
Coloco-o no cobertor, choro pelos cantos do muro e volto para me proteger,
Olho pela janela e me sinto pior, tanta dor no coração de quem ama,
A vontade de trazê-lo para dentro do meu peito e pedir para renascer,
Tento, brigo, grito, o desespero traz inconformismo, traz desesperança,
Mas amor ainda tem que aprender a suportar o frio, para reanimar lembranças.
- #NowPlaying:Santa Chuva - Maria Rita
Seu silêncio faz o mundo girar, faz refletir, faz sofrer. Seu arrependimento pelo inevitável é culpa vã e sem orientação de suas ações e os caminhos seguem, em silêncio. É sofrimento, ilusão, agonia. É tudo e é nada. Perfeita indecisão vaza entre os dedos, os olhos vendados de amor, o coração com armadilhas de aço... Você tem medo do agora, pois o passado foi cruel, foi direto, foi na boca do estômago. Seus olhos embaçados pelas palavras ditas com rancor agora apunhalam e lhe desgraçam a alma. É triste seu andar de menina que descobriu a morte, que descobriu a ilusão, que descobriu a culpa. Tudo ao teu redor é cansado, tudo é lama, tudo é pesado... Pesado demais para ombros de menina, leves para passos de mulher. Impressiona quem a vê caminhando, sorriso nos lábios, sadia e confiante, quem não a conhece são seus próprios pensamentos que de uma maneira vaga e sem licença invade seu ser, sua culpa, seu estômago. Não dá para apagar, para calar, não dá para aguentar, é como se a própria dor tomasse forma e abocanhasse seus olhos. São as lágrimas que a fazem sorrir, num paradoxo imbecil. É o aperto no peito que a faz amar, pois tem medo. Simples medo, que a impede de caminhar sem pensar no espelho, sem pensar na imagem de seus pais, sem pensar na decepção. É incrível a autopiedade que ronda seus pés, o calcanhar tímido que pisa inseguro. Nada mais importa, hoje. O que realmente importa dentro desse nada é amor. Aquele amor dos poetas, o amor da prosa, o amor da psicologia, o de todo dia, o de dentro. Nada importa, reformula a frase, se não há amor. Mas não se pode quebrar o espelho, não se pode ter autopiedade, não pode decepcionar, é o grito dado com a cabeça no travesseiro que a libertou e aprisionou e fez sofrer quem mais ama, com palavras destemidas e inconsequentes. Não basta a dor, não basta o passado... Tudo é solidão no silêncio dos seus passos. Nada mais parece como antes e ela anda sorridente, afinal.
- #NowPlaying:Paolo Nutini - Rewind
- #NowPlaying:Jota Quest - O vento
__ Por que ainda me quer? Assim tão nua aos seus olhos quentes? Por que ainda pensa em mim como a menina se o leão já acordou e acendeu a lareira apagada? Não tenha medo, apenas escute. É o som dos nossos ruídos de abraços, dos nossos laços invisíveis, nos nossos olhares expressivos e sentimentos recíprocos. Não quero te julgar por me amar ou me fazer feliz, mas você me decifrou, me tirou das amarras da quietude e me trouxe complicada, porém simples. Sou decifrável, como já disse, mas não pelo seu olhar, e sim pela minha voz. Entrego-me ao teu julgamento de quem nunca me condenará. Assim eu penso. Entrego o jeito dos meus ruídos, a voz que te afaga e te põe em alerta. Sei que sou extremista, mas não insegura, e te asseguro, meu bem, a simplicidade não está no jeito, está na mudança pra melhor.
- #NowPlaying:Joss Stone - 4 and 20
Algo faltava como as amigas que estão longe, a cachorrinha que faleceu, o colo de pai e mãe, a comida da avó, o latido do cachorro, o sorriso do irmão, algo faltava, as teclas, a caneta, o papel... a folha, a página em branco.
E antes que viesse um segundo pensamento contradizendo o que elencava como escasso, abri essa página e joguei toda a solidão, a saudade, a ausência. Não adiantou, porque ainda não sabia o que era o buraco no peito, a indolor causa da minha agonia. Era confessar, me confessar para mim mesma. Num redundismo irritante e frenético, filtrado por vírgulas e barulhinhos de backspace.
É libertador, enfim, todas as amigas me ajudando, conversando depois de um dia nada difícil. A cura para a doença veio, as dores passaram, o amor reinou, a saudade quietou, o coração disparou e desabafei o inevitável: escrever é oxigênio, é paz, sou eu.
- #NowPlaying:Santa chuva - Maria Rita
É difícil acreditar que acabou, que virou história, que não posso mais ligar no meio da tarde e contar o pensamento mais bobo que me veio à cabeça ou no meio da noite e contar o pesadelo, nem a música que estou ouvindo ou a matéria que estou estudando, nem o pássaro que pousou na minha janela, nem a dor que me sufoca e me faz triste. É tão complicado a gente achar que vai controlar com sabedoria nossos sentimentos quando a hora chegar, mas não, a gente cai em queda livre e se quebra no chão frio e úmido de um banheiro.
Se você soubesse como me faz falta o seu olhar verde e carinhoso, sua pintinha amarela no meio do olho, seu cheiro cítrico, seu abraço acolhedor, sua gargalhada única e sua mania de me chamar de 'bobinha'. Faz falta, dói, corrói, mas é preciso aguentar. Não há alternativa.
Eu poderia correr até aí e te jogar na parede e mostrar o quanto eu te amo, eu poderia gritar tanto que você, há mais de 200km, ouviria, eu poderia chorar até você voltar, mas não adiantaria. Nosso pacto eu tenho que cumprir e aceitar. Você merece o que me pediu, mas eu não mereço tanta dor.
Não se assuste com esse texto, é minha forma de espantar os fantasmas do meu travesseiro, as formigas que andam em meu estômago e a agulha que espeta minha cabeça pedindo pra eu não desistir, e não vou. Só a gente se entende e se desentende, não adianta negar. Não adianta clamar, nem cair, nem chorar, mas é tudo o que sinto vontade de fazer.
Ó menina boba, bobinha, com coração demais pra doer, com esperanças talvez inúteis e correndo o risco de ficar assim, durante um bom tempo, durante agosto, setembro, durante horas a fio... E não pensar se torna um desafio, e não escrever aquela imensa carta e entregar o seu presente de Natal também...
É difícil. Atravessar agosto vai dar desgosto, mas é preciso chorar menos, rezar mais, ir levando e, no meu caso, cantar, pois aí, talvez, a tristeza fica pra lá.
"Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados. Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar agosto."
Caio Fernando Abreu
Ademais, os degraus da vida são muito altos para essas pernas, os sons são baixos demais para quem não quer ouvir, e dormir sozinha deixa de ser libertador e começa a ser um tormento. Respiração alheia faz bem ao coração. Principalmente quando os movimentos são simultâneos, as falas inconscientes se completam e, quando o pesadelo bate à porta, você está com seu manto protetor. Acordo e ele surge. E eu corro para resgatar as lantejoulas, começo a idealizar um universo de possibilidades e me emociono ao sentir o romantismo.
Ele acorda com o meu sorriso e implora para deixar a preguiça reinar. Eu cedo aos seus pedidos, como sempre. Olho no fundo daquele fundo verde e mal posso esperar para respirarmos novamente, no mesmo ritmo... Os olhos se enchem de lágrima e eu não sinto falta da fantasia já tirada. Arranco minhas preocupações já costuradas e deixo buraquinhos, que logo vão fechar. Logo, logo...
Pisco. E ele não some. Com certeza não é sonho, não é imaginação. Mas me lembro que ainda é quarta-feira e ele só chega daqui dois dias! Pisco, ele desaparece. Volto a despir-me de lantejoulas e preparo-me para aquela fisgada no peito que já se tornou 'de casa'. Dói, mas ser opaca também é viver, não?
- #NowPlaying:Tudo o que sou - Aline Calixto
Entro em casa, na espera de sentar e despejar toda minha dor na capa rosa e macia, olho em volta e a minha vida, por um instante, gira em torno do balanço da cortina, pendendo para o meu lado racional de viver sem ilusão. A ilusão da despreocupação. Coisa corriqueira.
Sem importância são meus dias hoje, mas essenciais para o futuro, o amanhã! Quem diz que viver o hoje é suficiente não possui expectativas, e eu mergulho nas minhas como uma criança na piscina de mil litros, achando que aquela sim é a maior piscina do mundo.
São minhas expectativas que tento compartilhar com alguém como você que se mexem pra lá e pra cá, como um pêndulo morto querendo sair daquele vai-e-vem e choacalhar sem pudor. Ô diacho de caminho de pedras, de saudade, de dor. Dor indolor, sabe? Aquela que corrói, se expande, amortece e mata. Dor que machuca a mente e que de tanto pensar fiz buracos fundos em mim, rasguei os jornais que deixei na entrada, joguei um copo pela janela e me fiz de vítima diante de quem feri.
Sai, essa é sua sina. Viver sangrando expectativas e amar criando mares profundos de planos. Vem que minha semana é esperar por aquele abraço, aquele cheiro, aquele conforto de quem sabe o que diz e não repara nas minhas minhocas penduradas pelos buracos da minha mente e sente que preenche o que nunca será completo.
Quando parei por um minuto.
- #NowPlaying:Last request - Paolo Nutini
A luminária verde saltou na cama depois de um sono profundo no canto da parede.
O edredom fez um ruído de desesperero sonâmbulo.
Os cadernos se abriram num ato impulsivo.
O telefone ficou mudo.
O apartamento está excentricamente trêmulo (e se auto limpou).
As unhas queriam ser lixadas, uniformemente, com a faca da cozinha.
O tapete enrugou e chamou os sapatos para junto dele.
O computador abriu essa página para não morrer no soco.
O Suflair foi devorado em um minuto.
O espelho embaçou.
O cabelo foi picotado, as pontas duplas já eram.
A boca está seca e os dentes cerrados (as mandíbulas nem reclamam).
A janta não esfriou mesmo por meia hora parada no fogão.
Escondi qualquer instrumento mortífero e estou, nesse exato momento, guardando meus pensamento canibais e animalescos dentro da caixa preta que fica em cima do armário alto.
Tudo, agora, se calou.
Corra.
Grite.
Vá rezar para os antepassados.
Eu estou na ira.
Estou na fúria.
Estou com o meu avesso à mostra.
Ciúme.
Não desejo ter mais insônias pensando num modo de me sentir menos sozinha, mesmo dentro do coração de algumas pessoas. Não anseio mais pela liberdade solitária de quem canta para ninguém e quem não sente o cheiro de alguém. Não. A repulsa dentro de mim ainda pulsa em ritmo de quatro tempos e pula para fora como lágrimas selvagens e pesadas, a água salgada da menina dos olhos, da menina de dentro, da mulher de fora.
Vem correndo. Manda-me correr para pular em seus braços e você, transbordando saudade, me girar como quem gira uma criança após a volta da viagem. Tira-me dessa ditatura da beleza ideal, do peso ideal, do cabelo ideal, pois os cremes e salões de beleza são mentirosos, nada é por muito tempo, nem eu.
As rugas aqui dentro estão aparecendo, sinto mais calor que antes, os lábios começaram a se abrir por necessidade, é a seca. A falta de um ritmo e de um cheiro é tão intensa que até o chuvisco parece menos sozinho. Um pingo longe do outro, mas não tão longe quanto eu e você, quanto eu e eles, quanto eu e mim.
As lágrimas secam no caminho, pelas rachaduras violentamente sofridas ao longo do final de semana. Gostaria de ouvir o som da sua voz mais de perto e não sentir a minha tão ao longe. Vem. Diz-me quanto tempo faz que não abro o coração para cantar e sentir. Eu sei, não faz muito tempo, afinal, nem faz tanto tempo assim que nos vimos... Mas a falta é seca, é deserto, é sertão. Grande sertão discreto, tão vazio de palavras e sons. Mudo e salgado.
Ao mesmo tempo caminho cantando, repetindo a canção que lhe enviei hoje para abrir o sorriso que eu não consegui, cheiro de menta, ruídos românticos, tudo que desejo para os próximos dias.
- #NowPlaying: jackson - john cash & june carter
Cantar. Ser vista, analisada, milimetricamente criticada do fio rebelde à unha por fazer. Assumir a identidade de ser mestiça, baixa, não modelo e aspirante à interpretadora de melodias faz com que minha alto-estima, por incrivel que pareça, se eleve. Não me importa como cantei, como dancei, os tiques nervosos, os cliques com os olhos, como as pessoas me olharam, se elas gostaram, o importante é eu fazer para mim, para eu me sentir grande, modelo, ídola, fã de mim mesma. Egoísmo? Egocentrismo? Não. Um jeito que encontrei de não cair na primeira valeta da vida, de ser eu mesma e não ligar para as críticas não construtivas.
Se não fosse a minha vontade de manter experiências legais, desafiadoras e animadas não faria nem a metade do que já fiz: não beijaria, não colocaria aquela blusa que só eu acho bonita, não amaria com a intensiadade que sou acostumada a amar, não almejaria aquela vaga tão disputada no emprego, não colocaria um salto XV e não aprenderia com todas as forças a usá-lo. A minha sede de amor e destilados mantém o que vive e pulsa dentro de mim.
Meu sonho excêntrico é comprar uma kombi, pintá-la de rosa e roxo, juntar as melhores amigas, formar um grupo musical - seja lá o que for - e beber da água da inspiração e da vida. Às vezes, abomino os terninhos comportados e cabelos escovados, quero sorrir como quem sorri para uma platéia agradecendo a cada novo show a beleza de confiar em si mesma. E nesse show da vida, mesmo não sendo numa kombi rosa cheia de amigas, tudo roda em torno de mim mesma e a confiança que vem de dentro pra fora se torna essencial nessa luta de andar sobre a margem da valeta ou subir para mais um degrau cheio de olhares surpeficiais, afinal o equilíbrio entre o show e o sonho é simplesmente a andança, vestida de calça social e scarpin, bela, linda e sonhadora.
- #NowPlaying: oito anos - adriana calcanhoto