Nos entregamos ao provável, ao discutível, ao remediável amor. Nós entendemos que o excesso prejudica e a falta nos afasta, que a união em alguns dos nossos dias é a briga e nos outros a calma, que suficiente é estar juntos, mas sem estagnar, que estar juntos pode ser estar longe, mas sem muito tempo nesse espaço físico, que amor se espera e se entrega e que não há nada que possamos fazer a não ser amar. O cheiro, a razão, a comida, o prazer, a emoção, o calor, as mãos, tudo em sintonia, ou não. Às vezes é bom não ter sintonia, não viver como dois acordes na mesma cifra, é bom ter asas de tamanhos diferentes e horizontes de outras cores. É bom estar em turbulência, mas só às vezes. O que eu quero? Em palavras não consigo definir, mas em sentimentos eu posso desaparecer diante de uma muralha de emoções, de ideias, de paixão, de melancolia, de amor. Já disseram que nossas dúvidas são traidoras, as minhas são realistas demais e teimosas. Não aceitam como resposta aquilo que não querem ouvir, mas exigem a verdade. Numa coisa elas acertaram: sozinhos não há ninguém e juntos somos um. É difícil fazer as contas do tempo e do espaço entre nós e eu sei que muita coisa vai acontecer, mas nesse tempo e espaço eu só tenho certeza de uma coisa: podemos brigar ao sair de casa, mas fazemos as pazes no elevador.
